HIPERTENSÃO ARTERIAL

 

            A Hipertensão Arterial é uma doença caracterizada pela elevação da pressão exercida pelo sangue sobre os vasos arteriais . que levam a complicações sobre os chamados órgãos alvos , que são os rins, cérebro, olho e o próprio coração .

            Cifras superiores a 130/80 medidas por um aparelho de pressão adequado sobre o braço já são consideradas anormais .

            A Hipertensão é a causadora de 40% dos derrames cerebrais e 25% dos Infartos do coração , participando efetivamente dos 37% de obitos no Brasil relacionados com as doenças cardio-vasculares . Cifras superiores a 115/75mmHg já são causadoras de elevação da mortalidade .

            Os fatores de risco para Hipertensão são o excesso do consumo de sal , obesidade , sedentarismo , alcoolismo e preponderantemente o fator hereditário .

           

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Classificação da Hipertensão é a seguinte de acordo com a V Diretriz Brasileira

 

Tabela 7 – Classificação da pressão arterial de acordo com a medida casual no consultório (> 18 anos)

Classificação

Pressão sistólica (mmHg)

Pressão diastólica (mmHg)

Ótima

< 120

< 80

Normal

< 130

< 85

Limítrofe

130-139

85-89

Hipertensão estágio 1

140-159

90-99

Hipertensão estágio 2

160-179

100-109

Hipertensão estágio 3

≥ 180

≥ 110

Hipertensão sistólica isolada

≥ 140

< 90

Quando as pressões sistólica e diastólica de um paciente situam-se em categorias diferentes, a maior deve ser utilizada para classificação da pressão arterial

 

            Durante a investigação o medico deve solicitar, dentre outros, o exame da M.A.P.A. (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) , afim de classificar durante as 24 hs a Hipertensão e suas possíveis complicações , bem como afastar o diagnostico da Hipertensão do Jaleco branco , aquela que eleva-se apenas devido a proximidade do medico e o paciente .

COMPLICAÇÕES DA HIPERTENSÃO

            A hipertensão por tratar-se de uma doença sistêmica , isto é , atinge vários órgãos podem levar a complicações e danos irreversíveis ao doente .

No coração ela pode levar ao surgimento de Hipertrofia Ventricular , que é o aumento da espessura do músculo cardíaco , que passa a necessitar de maior aporte sanguíneo devido a força exagerada que tem de realizar para vencer a barreira imposta pela Pressão Alta . Este mecanismo leva a um descontrole entre a oferta e a necessidade de oxigênio pelas células cardíacas , aumentando o risco de um Infarto e levando a uma rigidez da musculatura cardíaca , fenômeno conhecido como Alteração do Relaxamento .

           

 

 

 

 

O cérebro é envolvido pelas alterações que sofrem as artérias que o irrigam . Pequenas formações saculares em suas microarterias são formadas pela ação da pressão exagerada nas suas paredes que podem romper-se causando o temível e mortal Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico . Também, devido a espessura aumentadas das artérias envolvidas pode haver uma diminuição na oferta de oxigênio sanguíneo e levar ao não menos grave Acidente Vascular Cerebral Isquêmico . Ambos extremamente graves e debilitantes .

O rim pode ser envolvido com tromboses e diminuição de sua capacidade de filtração , culminando com o aparecimento de Insuficiência Renal , doença traumática e irreversível .

            Por fim o fundo do olho pode ser afetado, devido a hemorragias,  levando a cegueira permanente .

 

 

 

 

 

O TRATAMENTO

            MEDIDAS GERAIS

            5.1. Controle de peso

Hipertensos com excesso de peso devem ser incluídos em programas de emagrecimento com restrição de ingestão calórica e aumento de atividade física. A meta é alcançar circunferência da cintura inferior a 102 cm para homens e 88 cm para mulheres, embora a diminuição de 5% a 10% do peso corporal inicial já seja suficiente para reduzir a pressão arterial

       5.2. Padrão alimentar

       Enfatizamos o consumo de frutas, verduras, alimentos integrais, leite desnatado e derivados, quantidade reduzida de gorduras saturadas e colesterol, maior quantidade de fibras, potássio, cálcio e magnésio . Associada à redução no consumo de sal, mostra benefícios ainda mais evidentes, sendo, portanto, fortemente recomendada para hipertensos . Compõe-se de quatro a cinco porções de frutas, quatro a cinco porções de vegetais e duas a três porções de laticínios desnatados por dia, com menos de 25% de gordura107

       O hábito alimentar dos hipertensos deve incluir : redução da quantidade de sal na elaboração de alimentos (A); retirada do saleiro da mesa (A); restrição das fontes industrializadas de sal: molhos prontos, sopas em pó, embutidos, conservas, enlatados, congelados, defumados e salgados de pacote tipo snacks (B); uso restrito ou abolição de bebidas alcoólicas (B); preferência por temperos naturais como limão, ervas, alho, cebola, salsa e cebolinha, em substituição aos similares industrializados (D); redução de alimentos de alta densidade calórica, substituindo doces e derivados do açúcar por carboidratos complexos e frutas (A), diminuindo o consumo de bebidas açucaradas e dando preferência a adoçantes não calóricos (C); inclusão de, pelo menos, cinco porções de frutas/verduras no plano alimentar diário, com ênfase em vegetais ou frutas cítricas e cereais integrais (A); opção por alimentos com reduzido teor de gordura, eliminando as gorduras hidrogenadas (“trans”) e preferindo as do tipo mono ou poliinsaturadas, presentes nas fontes de origem vegetal, exceto dendê e coco (A); ingestão adequada de cálcio pelo uso de produtos lácteos, de preferência, desnatados (B); busca de forma prazerosa e palatável de preparo dos alimentos: assados, crus e grelhados (D); plano alimentar que atenda às exigências de uma alimentação saudável, do controle do peso corporal, das preferências pessoais e do poder aquisitivo do indivíduo/família (D).

           

5.4. Moderação no Consumo de Bebidas Alcoólicas

Recomenda-se limitar o consumo de bebidas alcoólicas a, no máximo, 30 g/dia de etanol para homens e 15 g/dia para mulheres ou indivíduos de baixo peso (Tabela 2). Aos pacientes que não se enquadrarem nesses limites de consumo, sugere-se o abandono.

 

Tabela 2 – Características das bebidas alcoólicas mais comuns

Bebida

% de etanol

(º GL Gay Lussac)

Quantidade de etanol (g) em 100 ml

Volume para 30 g de etanol

Consumo máximo tolerado

Cerveja

~ 6% (3-8)

6 g/100 ml x 0,8* = 4,8 g

625 ml

~ 2 latas (350 x 2 = 700 ml) ou 1 garrafa (650 ml)

Vinho

~ 12% (5-13)

12 g/100 ml x 0,8* = 9,6 g

312,5 ml

~ 2 taças de 150 ml ou 1 taça de 300 ml

Uísque, vodka, aguardente

~ 40% (30-50)

40 g/100 ml x 0,8* = 32 g

93,7 ml

~ 2 doses de 50 ml ou

3 doses de 30 ml

* Densidade do etanol.

 

       5.5. Exercício físico

A prática regular de exercícios físicos é recomendada para todos os hipertensos, inclusive aqueles sob tratamento medicamentoso, porque reduz a pressão arterial. Além disso, o exercício físico pode reduzir o risco de doença arterial coronária, acidentes vasculares cerebrais e mortalidade geral

 

 

Tabela 3 – Recomendação de atividade física

Recomendação populacional130,131

Todo adulto deve realizar pelo menos 30 minutos de atividades físicas moderadas de forma contínua ou acumulada em pelo menos 5 dias da semana (A).

Recomendação individual

Fazer exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, ciclismo, dança, natação) (A).

Exercitar-se de 3 a 5 vezes por semana (B).

Exercitar-se por, pelo menos, 30 minutos (para emagrecer, fazer 60 minutos) (B).

Realizar exercício em intensidade moderada (B), estabelecida:

a) pela respiração: sem ficar ofegante (conseguir falar frases compridas sem interrupção) (D);

b) pelo cansaço subjetivo: sentir-se moderadamente cansado no exercício ©;

c) pela freqüência cardíaca (FC) medida durante o exercício (forma mais precisa), que deve se manter dentro da faixa de freqüência cardíaca de treinamento (FC treino) (B), cujo cálculo é feito da seguinte forma: Fctreino = (Fcmáxima – Fcrepouso) x % + Fcrepouso, em que:

Fcmáxima: deve ser preferencialmente estabelecida em um teste ergométrico máximo. Na sua impossibilidade, pode-se usar a fórmula: Fcmáxima = 220 – idade, exceto em indivíduos em uso de betabloqueadores e/ou inibidores de canais de cálcio não-diidropiridínicos132.

Fcrepouso: medida após 5 minutos de repouso deitado.

%: são utilizadas duas porcentagens, uma para o limite inferior e outra para o superior da faixa de treinamento. Assim, para sedentários: 50% e 70%; para condicionados: 60% e 80%, respectivamente.

Realizar também exercícios resistidos (musculação) (B). No caso dos hipertensos, estes devem ser feitos com sobrecarga de até 50% a 60% de 1 repetição máxima (1 RM = carga máxima que se consegue levantar uma única vez) e o exercício deve ser interrompido quando a velocidade de movimento diminuir (antes da fadiga concêntrica, momento que o indivíduo não consegue mais realizar o movimento) (C).

 

                5.6. Abandono do tabagismo

O tabagismo deve ser agressivamente combatido e eliminado. Hipertensos podem usar com segurança terapias reposicionais com nicotina para abandono do tabagismo. Eventual descontrole de peso observado com a abolição do tabaco, embora transitório e de pequeno impacto no risco cardiovascular, não deve ser negligenciado.

       5.7. Controle do estresse psicoemocional

Estudos experimentais demonstram elevação transitória da pressão arterial em situações de estresse, como o estresse mental, ou elevações mais prolongadas, como nas técnicas de privação do sono. Estudos mais recentes evidenciam o efeito do estresse psicoemocional na reatividade cardiovascular e da pressão arterial, podendo contribuir para hipertensão arterial sustentada.

       6. Tratamento Medicamentoso

6.1. Objetivos

O objetivo primordial do tratamento da hipertensão arterial é a redução da morbidade e da mortalidade cardiovasculares. Assim, os anti-hipertensivos devem não só reduzir a pressão arterial, mas também os eventos cardiovasculares fatais e não-fatais.

O tratamento medicamentoso associado ao não-medicamentoso objetiva a redução da pressão arterial para valores inferiores a 140 mmHg de pressão sistólica e 90 mmHg de pressão diastólica, respeitando-se as características individuais, a presença de doenças ou condições associadas ou características peculiares e a qualidade de vida dos pacientes. Reduções da pressão arterial para níveis inferiores a 130/80 mmHg podem ser úteis em situações específicas, como em pacientes de alto risco cardiovascular, diabéticos, insuficiência cardíaca161 , com comprometimento renal e na prevenção de acidente vascular cerebral.

 

 

Tabela 1 – Características importantes do anti-hipertensivo

Ser eficaz por via oral.

Ser bem tolerado.

Permitir a administração em menor número possível de tomadas, com preferência para dose única diária.

Ser iniciado com as menores doses efetivas preconizadas para cada situação clínica, podendo ser aumentadas gradativamente, pois quanto maior a dose, maiores serão as probabilidades de efeitos adversos.

Não ser obtido por meio de manipulação, pela inexistência de informações adequadas de controle de qualidade, bioequivalência e/ou de interação química dos compostos.

Ser considerado em associação para os pacientes com hipertensão em estágios 2 e 3 que, na maioria das vezes, não respondem à monoterapia.

Ser utilizado por um período mínimo de 4 semanas, salvo em situações especiais, para aumento de dose, substituição da monoterapia ou mudança das associações em uso.

 

MECANISMO DE AÇÃO E EFEITOS COLATERAIS DOS MEDICAMENTOS ANTIHIPERTENSIVOS

 

DIURÉTICOS (Hidroclorortiazida , Higroton , Lasix , Hidrion)

            São utilizados para promoverem a redução do excesso de liquido circulante e diminuição da resistência dos vasos sanguineos . Devem ser preferencialmente usados em baixas doses . Os efeitos colaterais mais comuns são a perda de potássio (fraqueza muscular, câimbras ) , podendo acarretar o surgimento ou agravamento de arritmias cardíacas , elevação do acido úrico , intolerância a Glicose (eleva o valor da Glicemia após as refeições) e elevação dos Triglicerídeos  .

AÇÃO CENTRAL (Aldomet , Atensina)

            São medicamentos que agem na pressão arterial interferindo no chamado tonus simpático que acarreta diminuição da resistência dos vasos arteriais . Representados pela Alfa-metil-Dopa (Aldomet)  e Clonidina (Atensina) . Promovem efeitos colaterais como sonolência , boca seca , disfunção sexual . O aldomet ainda pode provocar galactorreia (secreção de leite pelas mamas) , anemia por destruição das hemácias e Insuficiência hepática .

BLOQUEADORES DE CANAIS DE CALCIO (Nifedipina, Amlodipina , Diltiazem)

            São medicamentos que diminuem o tônus dos vasos arteriais por bloquearem a entrada de cálcio na célula muscular arterial . Os principais efeitos colaterais são vermelhidão no rosto , braços e pernas , inchasso das pernas , dor de cabeça , obstipação intestinal

INIBIDORES DA ENZIMA DE CONVERSÃO (Captopril , Enalapril , Losartan )

            São vasodilatadores que promovem sua ação por inibição das enzima responsavel pela conversão hormonal que realiza a constricção das artérias . Seus principais efeitos colaterais é a tosse seca e persistente (menos observada nos mais modernos) e elevação do potássio em individuos com disfunção renal .

BETABLOQUEADORES (Propranolol , Atenolol )

            São medicamentos que promovem o bloqueio da adrenalina no sistema cardio-vascular diminuindo a Pressão Arterial e a Freqüência Cardíaca . Não devem ser usados em asmáticos pelo risco de Broncoconstricção (desencadeamento de crises) . Pode levar a diminuição da freqüência cardíaca , insônia , depressão , astenia e disfunção sexual . Podem elevar o LDL colesterol e Triglicérides , alem de atenuar os efeitos da Hipoglicemia em diabéticos e elevar a intolerância a Glicose .

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Leia atentamente esse manual e guarde em lugar seguro para leituras futuras . em caso de duvida nos contate

CLIMESP – (64)3661-3292

DIVISAO CARDIOLOGIA DO HOSPITAL SAMARITANO (64)3661-1000

 

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